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Aspectos Psicológicos pré e pós operatórios


Todo paciente de Cirurgia Plástica pode ser considerado como um paciente especial. Pois, diferentemente, dos pacientes que estão doentes ou que necessitem de uma cirurgia como indicação de um tratamento específico ou conduta médica escolhida, o paciente de cirurgia plástica “está bem”, caso contrário não poderia realizá-la. Se o cirurgião fez a indicação de um ou mais procedimentos, significa que além de escutar o desejo da paciente, avaliou todo o aspecto clínico necessário para poder realizar o procedimento com segurança. 


A partir desse momento, é fundamental analisarmos também os aspectos psicológicos. Pois muitas vezes, mesmo que o paciente esteja seguro do seu desejo de realizar a cirurgia, aparecem os medos, as ansiedades e as apreensões pré e pós operatórias. 


São notáveis diversas reações nos pacientes que se submeterão a uma intervenção cirúrgica. E neste momento, embora muitos tentam controlar ou esconder esta mudança que ocorre internamente, mas é importante que “ninguém se deixe enganar” pela contenção emocional (emoções reprimidas) de um paciente cirúrgico.

 
Devemos observar o grau de imperturbabilidade de sua aparência, isto é, muitos procuram esconder o que sentem, seja preocupação, medo, ansiedade entre outros motivos que justifiquem esta atitude.

 
O paciente submetido ao procedimento cirúrgico apresenta aspectos psicológicos importantes, principalmente com relação ao medo. Tem medo da dor, da anestesia, tem medo de demonstrar medo e, sobretudo, tem medo de morrer. E, diferentemente de algumas outras coisas temidas pelas pessoas, o medo da cirurgia tem, pelo menos em parte, uma base concreta.

 
Embora sempre a realidade seja enriquecida pela imaginação, o medo da cirurgia nunca é totalmente imaginário.

 
Porém, com uma equipe multidisciplinar avaliando as condições biopsicosociais do paciente, é possível realizar a intervenção cirúrgica com segurança, associando-se a todos os resultados dos exames solicitados previamente.

 
Podemos interpretar a palavra BIOSPICOSOCIAIS dividindo-a em partes: somos seres inteiros e precisamos ter em mente, que temos um corpo a ser avaliado (BIO), que temos um lado emocional a ser compreendido (PSICO) e que não vivemos sozinhos e sim em sociedade (SOCIAIS) e que assim, buscamos o apoio, a interação e a aprovação e/ou valorização dos outros.

 
Outro aspecto importante a ser percebido pelo paciente, assim como, pelos profissionais da equipe, é quanto às expectativas de cada paciente em relação ao resultado. É necessário que o paciente esteja seguro de que transmitiu ao médico exatamente o que deseja, para que dessa maneira, possam chegar juntos ao resultado esperado, dentro das possibilidades reais e não apenas imaginárias.

 
Muitas vezes possuímos modelos em quem nos inspiramos, temos referenciais de beleza e aparência, porém precisamos verificar até onde podemos utilizá-los dentro das nossas características corporais individuais.

 
Além desses aspectos, precisamos avaliar o momento de vida em que o paciente deseja fazer a cirurgia, os porquês das suas escolhas, o apoio dos familiares e o suporte para os cuidados após a cirurgia, tendo em vista, que tão importante quanto o momento da cirurgia, são esses cuidados pós operatórios.

 
O paciente precisa estar consciente da sua dedicação, de todas as limitações e responsabilidades que são necessárias para o alcance do resultado final esperado.

 
Não é raro o aparecimento da ansiedade e até mesmo de conflitos, no momento pós operatório, onde os pacientes precisam mudar a sua rotina, principalmente em relação a sua “independência” de poderem se movimentar no seu cotidiano de atividades.

 
Esse é um momento especial, onde o paciente precisa se afastar de seus afazêres, ou pelo menos de parte deles, para que possa se dedicar às recomendações médicas.

 
Tendo em vista isso, é preciso que não apenas o paciente, mas também o seu “cuidador” esteja preparado para essa fase. A extensão desse período dependerá do procedimento a ser realizado ou da combinação deles.

 
Como se pode observar, a atitude mais adequada da equipe é a de agir preventivamente, já no início do contato com o paciente, se possível ainda no consultório, quando a indicação cirúrgica muitas vezes ainda é uma das possibilidades, intensificando esse trabalho após a decisão de realizar o procedimento e também no momento da internação.  Fatores como confiança e disponibilidade ao paciente para que ele exponha seus sentimentos, orientação e desmistificação das fantasias são fundamentais. Por isso, dentre outros motivos, atualmente, muitos profissionais da área da psicologia se tornam imprescindíveis, junto à equipe médica e a equipe de saúde em geral no pré e pós operatório das cirurgias plásticas estéticas ou reparadoras. 




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